Conheça as 4 mentiras de quem diz prever safras com 100% de certeza

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O sonho de quem trabalha com imagens de satélite na agricultura é prever safras com 100% de acerto, com baixo custo e com uma antecedência de muitos meses. Pois é, isso continua sendo um sonho!

Utilizar imagens de satélite para traduzir as condições da planta em campo envolve modelar ou equacionar alguns parâmetros e aí já surge o primeiro ponto crítico. Nenhum modelo possui 100% de certeza, sempre existe um erro associado a ele, por menor que seja sempre é maior do que 0.

O ponto é: sim, é possível prever safras com bastante certeza, mas isso vai depender muito de diversos fatores.

Isso está longe de ser um problema. A previsão de safras tem alguns usos, mas na maioria das vezes é ou melhorar um sistema de previsão subjetivo, ou conhecer alguma área com pouca ou nenhuma informação disponível. Desta forma, as previsões precisam mostrar muito mais tendências do que acertar a produtividade com exatidão.

Ao longo dos anos percebi que é impossível utilizar apenas uma variável para ter certeza absoluta do que está de fato ocorrendo em uma região. Isso me levou a utilizar uma combinação de diversos tipos de dados de variadas fontes e isso trouxe um novo problema que é trabalhar com grande volume de dados. Porém os resultados são cada vez mais próximos da realidade.

A grande vantagem de utilizar sensoriamento remoto para esse tipo de aplicação é poder ter um dado objetivo e rastreável ao longo dos anos e safras. Com imagens é possível voltar décadas no tempo e analisar o perfil de produção de determinada região ou propriedade.

Para fechar o post, segue uma lista com 4 mentirinhas de quem diz prever safras com 100% de certeza:

1- Nuvens não nos afetam porque o satélite tem vários sensores;

Mesmo tendo vários sensores, as nuvens são grandes problemas para quem trabalha com imagens. A utilização de radar ou laser ainda é muito pouco difundida e não possui resultados científicos convincentes.

2- É possível prever a safra quando a planta sair do solo;

Todas as culturas tem estádios fenológicos chave para a produtividade e com certeza nenhuma delas é a emergência, desta forma não dá para dizer muita coisa nessa fase.

3- Nossos algorítimos são especializados para qualquer cultura em qualquer região do país;

Dificilmente isso é real em um país do tamanho do Brasil. Correções e calibrações são essenciais e isso leva algum tempo, dificilmente será instantâneo.

4- Se acontecer algum desvio é culpa das perdas na colheita.

As perdas realmente representam um grande problema para estimações, mas é possível estimar uma produtividade através de outros parâmetros. Desta forma, nem sempre as perdas podem ser culpadas de causar dissonância com a modelagem.

Tem dúvidas nesse assunto? Me escreva!

5 COMENTÁRIOS

  1. Muito bom ver esse texto expondo as limitações da estimativa se safras.Trabalho com modelagem para previsao de safras e, apesar de não utilizar sensoriamento remoto, também enfrento vários desafios. Um grande desafios que encontramos e a limitação de dados para calibração de modelos. Outro fator de extrema importancia e que para prever safras com maior antecedência precisamos primeiro de uma previsão de clima acertda, uma vez que culturas agrícolas são afetadas pelo clima e como dito no texto, cada cultura apresenta uma determinada fase no seu ciclo fenologico de maior sensibilidade, seja ao déficit hídrico, a temperaturas extremas. Temos um grande desafio pela frente. E como exportadores de produtos agricolas a previsão de safras e a chave para um melhor planejamento

    • Minella,

      Obrigado pelo comentário! Realmente a intenção é essa. Além disso, é contribuir para que o mercado comece a encarar modelagem como modelagem deve ser encarada e não como uma previsão de astrologia que se acerta tudo ou nada!
      Se quiser discutir outros assuntos entre em contato!

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