Roberto Rodrigues na UNICA, último fôlego para o setor?

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Foto Revista Veja
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No último dia 20/5 em assembleia a UNICA aprovou o nome de Roberto Rodrigues para a presidência do conselho deliberativo. Em meio a maior crise do setor dos últimos vinte anos, o nome de Rodrigues surge como uma nova esperança para as usinas.

Roberto Rodrigues é um dos nomes mais respeitados do agronegócio brasileiro. Presidente da Lide Agronegócio, coordenador do Centro de Agronegócios da FGV e um dos mais célebres ex-ministros da agricultura, traz consigo experiência suficiente para influenciar novas políticas para alavancar o setor de açúcar e álcool.

Durante o governo Lula, Rodrigues foi um dos maiores defensores do etanol e foi quem fez o ex-presidente acreditar nos biocombustíveis. Com isso Lula levou ao mundo a segurança que o Brasil seria um ótimo fornecedor de biocombustíveis. Com isso houve o advento dos motores flex e uma explosão na produção brasileira de açúcar e principalmente de etanol.

Quando o setor estava pronto para o próximo passo que era abolir a colheita com queima, veio a descoberta do pré-sal e o governo que apoiava os combustíveis renováveis, passou a apoiar a exploração do petróleo e uso de seus derivados. Atrelado a isso veio o congelamento do preço da gasolina para frear a inflação e ao mesmo tempo queda na produtividade da cana pelo uso de colheita mecanizada. Todos esses fatores juntos fizeram com que as usinas que tinham se endividado no cenário positivo, não conseguissem pagar as mesmas no cenário atual e assim uma grande crise está formada e assolando o setor.

Rodrigues assume em meio a essa crise e embora tenha sido ministro no governo PT, não poupa críticas à política de Dilma. Em recente entrevista ao jornal “O Tempo” de Belo Horizonte, ele diz que Dilma não gosta do setor porque além de prejudicá-lo não quer nem ao menos dialogar com o mesmo. Ressalta ainda que o setor perdeu 50 mil empregos nos últimos 5 anos e que apenas vontade política pode salvá-lo porque é impossível competir com o preço atual da gasolina e ainda ter valores diferenciados de ICMS para o etanol em cada estado.

Trabalho no setor de cana-de-açúcar há três anos e vejo que realmente a situação já passou do nível crítico. Juntamente com a esperança política e administrativa que Roberto Rodrigues traz, o setor tem que investir em novas tecnologias para produzir mais com menos perdas. Tenho certeza que existem grandes oportunidades e que o setor irá resistir a mais essa crise. Esperamos que seja com poucas feridas.

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